O que a Apple ganha ao impedir o rastreamento de dados?

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A chegada do App Tracking Transparency nos dispositivos Apple com iOS 14.5 tem tumultuado o universo das big techs. Isso porque a nova ferramenta da empresa da maçã exige que os aplicativos em sua App Store peçam permissão aos usuários para coletar dados, fator que deverá impactar a receita de diversas companhias.

A lógica é simples: por não cobrarem pelos seus serviços, aplicativos gratuitos precisam de algum meio para gerar receita. O Facebook, por exemplo, rastreia as atividades de usuários em outros sites e apps para direcionar anúncios personalizados. Inclusive, o envio de publicidade personalizada é responsável por 97% dos valores obtidos anualmente pela empresa.

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No entanto, o novo recurso da Apple permite que o usuário concorde ou não com a coleta de dados dos apps. Em caso de recusa, o identificador anônimo para anunciantes (IDFA) dos dispositivos são desabilitados, o que impossibilita o direcionamento de anúncios relevantes pelos aplicativos.

Em janeiro deste ano, o próprio Mark Zuckerberg, dono do Facebook e Instagram, afirmou que o lançamento da ferramenta poderá encarecer a internet, já que diversos apps gratuitos, dependentes da publicidade, poderão se tornar pagos pela diminuição das receitas.

Chegada do App Tracking Transparency foi duramente criticada pelo Facebook. Foto: Alexander Kirch/Shutterstock

Com isso, foi instaurada uma verdadeira batalha entre aplicativos e a Apple. De um lado, há quem diga que o recurso vai prejudicar negócios de empresas menores. Do outro, a empresa de Tim Cook assegura que a medida será um grande passo para reforçar a privacidade de seus usuários.

Mas afinal de contas, seria a Apple tão “boazinha” para criar um recurso em defesa de seus clientes a troco de nada?

Por trás do App Tracking Transparency

Embora o App Tracking Transparency, de fato, reforce a privacidade de seus usuários, a medida vai beneficiar a própria empresa. Isso porque sua loja de aplicativos (App Store) cobra uma comissão de 30% das transações feitas em apps alocados em sua plataforma — a taxa para desenvolvedores menores foi reduzida para 15% no ano passado.

Naturalmente, se apps gratuitos começarem a cobrar pelos seus serviços, as taxas cobradas pela Apple poderão aumentar consideravelmente.

Basta pegar o exemplo de Facebook e Instagram, duas das redes sociais mais usadas no mundo todo, que possuem, juntas, quase 4 bilhões de usuários mensais ativos. Agora imagine uma possível captação da App Store caso essas redes sociais tornem-se pagas ou incluam assinaturas em seus serviços.

Não à toa, Zuckerberg acusou que a nova ferramenta da Apple claramente visa “seus interesses competitivos”.

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Efeito dominó

Um possível aumento na comissão cobrada na lojas de aplicativos da Apple pode significar uma derrota “em dobro” para os desenvolvedores de apps. Isso porque é preciso levar em conta as taxas pagas para a loja de aplicativos do Google.

Google Play também poderá ser beneficiado, caso apps gratuitos passem a precificar seus serviços. Foto: BigTunaOnline/Shutterstock

O Google Play também cobra uma tarifa de 30% de todas as compras feitas em sua loja. Inclusive, a plataforma seguiu os passos da App Store e decidiu reduzir a comissão para 15% para desenvolvedores menores.

Ou seja, se as comissões pagas à Apple aumentarem com uma possível precificação de serviços gratuitos, as taxas cobradas pelo Google Play também deverão ser ampliadas. Consequentemente, a perda de receitas dos apps poderá ser ainda maior.

Apple x Epic Games

Um fator que pode complicar ainda mais esse embate entre big techs e a nova ferramenta da Apple é a disputa da empresa da maçã contra a Epic Games, desenvolvedora do jogo Fornite.

A última segunda-feira (3) marcou o início do processo da Epic Games contra a Apple. A desenvolvedora de jogos acusa a Apple de violar a lei antitruste, já que a comissão de 30% cobrada na App Store fortaleceria o monopólio de sua loja de aplicativos.

É fato que a ação judicial deve se estender por um bom tempo, já que são esperadas apelações da decisão por parte da empresa derrotada no processo.

Contudo, o resultado do julgamento pode interferir — positivamente ou negativamente — nos impasses diante da chegada do App Tracking Transparency.

Fonte: O Globo/Venture Beat

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